Brasília – SINDSERPE na Marcha das Margaridas

A Marcha das Margaridas é a maior ação de mulheres da América Latina e está em sua sexta edição. O SINDSERPE está participando, fortalecendo a luta das mulheres, através das diretoras Marta e Cecília.

A coordenadora nacional da Marcha, Maria José Morais, explica que o movimento foi criado em homenagem a Maria Margarida Alves, sindicalista assassinada em 1983 por enfrentar barões do açúcar em Alagoas. Entre as principais pautas que unem as trabalhadoras rurais, a coordenadora destaca uma “luta de classes” pela manutenção de direitos, como a aposentadoria.

Agricultoras familiares, camponesas, sem-terra, acampadas, assentadas, assalariadas, trabalhadoras rurais, artesãs, extrativistas, quebradeiras de coco, seringueiras, pescadoras, ribeirinhas, quilombolas, indígenas e quem mais estiver no cenário rural.  As 100 mil que chegam à Brasília são diversas, mas encaram realidades palpáveis no cenário atual, como o avanço histórico do desmatamento na Amazônia, a liberação de agrotóxicos em um ritmo jamais visto e demais ameaças à integridade das trabalhadoras.

A questão da violência contra a mulher nos interiores brasileiros é, para Maria José, a questão que mais lhe tira o sono. “Não dão a importância necessária, fica invisibilizado. A gente não tem, infelizmente, um instrumento para ter esse diagnóstico, para saber como que é essa violência. Mas acontece feminicídio também no campo, e ele precisa ser visto.”, completa.

A defesa pelo modo de vida das margaridas é um ponto permanente, que passa, também, pelo direito à terra e à denominação na titulação conjunta da propriedade – uma demanda conquistada pelas mulheres na Marcha de 2003, no governo do ex-presidente Lula. Maria José explica que a articulação com todas as camadas vêm de, pelo menos, 2 anos de trabalho antes do ano da próxima edição, um trabalho de base minucioso.

“A gente trabalha com 10 eixos temáticos que são extremamente importantes. Dentre eles, está a questão da previdência, da saúde, da educação, da terra, da água, da agroecologia. Desde o final de 2017, viemos fazendo esse debate com cada uma de nossas companheiras, para que todas as mulheres que vêm a Brasilia saibam o significado politico da Marcha das Margaridas e qual o impacto da Marcha na vida das mulheres.”, explica Maria José.

Em 2019, porém, uma tradição será quebrada: elas não entregarão ao governo as pautas de debate – pelo menos, não antes da Marcha acontecer, de fato. Maria José Morais diz que os ‘retrocessos reais’ do atual governo deixam a Marcha com um caráter de pressão, e não primeiramente de negociação. Na Esplanada, mesmo sem serem avisados, os políticos estarão cientes de que as margaridas estarão por lá. Em uma de suas canções, elas clamam:

“Terra sadia pra lucrar/ Canja na mesa no jantar / Um mínimo para se ter / Direito à paz e ao prazer”

Com informações da Carta Capital