Entre mais afetados, Brasil ainda não viu queda na curva epidêmica

O Brasil é o único entre países mais afetados que ainda não atingiu o pico de contágios e segue vertiginosamente para cima, sem garantir taxas significativas de isolamento social. Itália, Alemanha e Irã observam aumento de casos, a partir de uma curva descendente.

Embora a Itália, a Alemanha e o Irã estejam observando aumento de casos confirmados de covid-19, todos já passaram pelo pico da pandemia e apresentam crescimento controlável dos casos. O Brasil, por sua vez, é o único entre dez mais afetados que ainda não atingiu o pico de contágios e segue vertiginosamente para cima, sem garantir taxas significativas de isolamento social. Este destaque foi dado pela Universidade Johns Hopkins, que vem coletando dados internacionais e elaborando comparativos.

Outro destaque brasileiro é o fato de estar 26 dias atrasado em relação a países que tiveram que lidar com a pandemia antes, como os EUA. Se por um lado isso é vantajoso para controlar o avanço, caso tome medidas rigorosas, por outro, pode se tornar uma prolongada catástrofe, caso mantenha a precariedade do isolamento social atual. São quase um mês para alcançar o mesmo momento da curva atual de outros países.

A Espanha vem derrubando a curva desde o final de março, assim como a Alemanha e a Itália. O Reino Unido observou esse fenômeno nos primeiros dez dias de abril. A Bélgica viu a epidemia desabar vertiginosamente em meados de abril, assim como sua vizinha França. Os EUA começaram a reduzir o número de casos registrados entre o final de abril e início de maio, assim como o Canadá. O Irã chegou ao ápice no final de março com três mil novos casos, caiu vertiginosamente até o final de abril, com pouco mais de 900 casos e voltou a subir, chegando atualmente a mais de dois mil casos, novamente.

O Brasil se destaca deste grupo de mais atingidos do mundo, por ter detectado o primeiro caso mais tarde, ter tido mais tempo para observar a experiência internacional, e ainda não ter alcançado seu número mais alto de casos, assim como não ter observado queda consistente de contaminação por um período longo.

O primeiro caso brasileiro foi detectado no início de março, assim como a Bélgica, enquanto os EUA, Canadá, Reino Unido, França, Itália, Alemanha já conheciam seu primeiro caso um mês antes. O Irã teve seu primeiro caso em meados de fevereiro, enquanto a Espanha começou seu ciclo trágico no final de fevereiro.

O objetivo de todos os países é dedicar todas as energias governamentais para “achatar a curva” da pandemia de covid-19. O achatamento da curva envolve a redução do número de novos casos da doença de um dia para o outro. Isso ajuda a evitar que os sistemas de saúde fiquem sobrecarregados. Quando um país tem menos casos novos de covid-19 surgindo, do que em um dia anterior, isso é um sinal de que o país está achatando a curva.

Nos gráficos desta página, que mostram novos casos por dia, uma curva nivelada mostrará uma tendência de queda no número de novos casos diários. Essa análise usa uma média móvel de 5 dias para visualizar o número de novos casos e calcular a taxa de alteração. Essa abordagem ajuda a impedir que eventos importantes (como uma alteração nos métodos de relatório) distorçam os dados. Devido a esse intervalo de 5 dias, os números estão propositalmente desatualizados. Neste 20 de maio, o Brasil acumula 291.579 casos confirmados e 18.859 óbitos registrados.

Os gráficos abaixo mostram o número diário de novos casos para os 10 países mais afetados, com base no número relatado de mortes por covid-19.

País Primeiro caso Total casos Total mortes Período
EUA 22/1/2020 1.528.568 91.921 117 dias
Reino Unido 30/1/2020 250.138 35.422 109 dias
Itália 30/1/2020 226.699 32.169 109 dias
França 23/1/2020 180.933 28.025 116 dias
Espanha 31/1/2020 232.037 27.778 108 dias
Brasil 25/02/2020 271.885 17.983 83 dias
Bélgica 2/3/2020 55.791 9.108 105 dias
Alemanha 26/1/2020 177.778 8.081 113 dias
Irã 18/02/2020 124.603 7.119 90 dias
Canadá 25/1/2020 80.493 6.028 114 dias

No gráfico da Johns Hopkins, segue abaixo a curva brasileira isolada dos demais países:

 

Fonte: Site Vermelho.org